Fumê

[Foto: Messias Brandão]

Messias Brandão

FUMÊ
(Rita Costa & André L. Soares)
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[Ele] – Há um ano, uma vez por semana – toda quarta-feira –, entro no mesmo mercado. Compro sempre as mesmas coisas. Aproveito para observar a moça do caixa enquanto passa minhas compras. Sei que se chama Maria Pinheiro. Li no crachá. Nunca trago caneta. Peço que me empreste a dela. É quando, às vezes, nossas mãos se tocam, deixando-me trêmulo e feliz. Quando os olhares se cruzam, agradeço em voz baixa. Nem sei se me escuta. Excessivamente tímido, não tenho coragem de convidá-la para sair. Pego as compras – que o rapaz empacotou – e saio sem olhar para trás.

[Ela] – Há um ano, basta vê-lo na fila e tenho o coração na boca. Vem uma vez por semana – toda quarta-feira. Conheço de cor cada produto que leva. A primeira vez que o vi, acabara de ser promovida à caixa. Estava nervosa. Paciente, foi gentil comigo. Compreendeu minha lentidão devido a pouca experiência. Outros clientes reclamavam. Ele não. Sempre que me pede emprestada a caneta suo frio. Sei que se chama José Carvalho. Vejo no cheque. Sei telefone e endereço. Sempre escreve no verso. Por vezes pensei em ligar. Mas sou tímida. Desisto. Não creio que tenha percebido minha felicidade ao vê-lo. Ele nem imagina o efeito que causa quando nossos olhos se cruzam. Até esqueço o trabalho, vendo-o sair sem olhar para trás.

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Magazine Luíza

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Cena Rio

[Ipanema – Phill4]

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CENA RIO
(Rita Costa & André L. Soares)
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Vi inícios de canções
de luz e Melodia
ao Tom de Ipanema…
cor ali nas graciosas
esquinas rumo ao sol.
Samba, bossa nova,
em dias de verão,
o Rio é sempre bom.
Maravilhosa cidade,
aquarela de temas
a tingir de nostalgia
as pedras do arpoador.

Ao final da tarde
Chico encanta o mar
– paisagem, vida e som –,
veja que flor bela,
tal Leila Diniz…
vozes de Copacabana,
– em letras de Assis –,
lapela e Cartola,…
buquês de Noel Rosa,
nas cores da poesia
de Drummond.
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